Reflexão Pastoral | Epifania do Senhor

 


DOM JONATHAN BATISTA GODOY
POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
BISPO TITULAR DE VALABRIA E AUXILIAR DO RIO DE JANEIRO

REFLEXÃO PASTORAL
Solenidade da Epifania do Senhor

Ao clero, religiosos, leigos e  todos que a este leem, 
Saudações e Bençãos da parte de Nosso Senhor. 
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A Solenidade da Epifania nos transporta para um momento de profunda revelação, onde a luz divina irrompe no cenário terreno, manifestando a glória de Cristo a todos os povos. O Evangelho de Mateus narra a jornada dos Magos, guiados por uma estrela, em busca do Rei recém-nascido. Essa narrativa, longe de ser um mero conto, é um convite a refletirmos sobre a nossa própria busca por Deus e a maneira como nos abrimos à Sua manifestação em nossas vidas. A estrela, como símbolo da graça divina, nos lembra que Deus não se esconde, mas se revela àqueles que O buscam com sinceridade.

Santo Agostinho sobre a Epifania, nos ajuda a aprofundar essa reflexão. Ele destaca que a fé não é apenas um assentimento intelectual, mas uma busca ativa e constante pela verdade. Os Magos, vindos de longe, representam essa busca fervorosa, demonstrando que a fé não tem fronteiras geográficas ou culturais. Sua jornada é um exemplo de como a graça de Deus nos impulsiona a sair de nossa zona de conforto e a buscá-Lo com todo o nosso ser. E, ao encontrarem o Menino Jesus, eles se prostram em adoração, reconhecendo-O como o Rei dos reis e o Senhor de suas vidas.

A Epifania também nos ensina sobre a universalidade da salvação. Os Magos, representantes dos gentios, demonstram que a graça de Deus não é exclusiva de um povo, mas destinada a todos. Essa verdade ecoa na doutrina católica, que afirma que Cristo veio para salvar toda a humanidade. A Igreja, como sacramento da salvação, é chamada a ser um farol de luz para todos os povos, anunciando o Evangelho e convidando todos a conhecerem o amor de Deus manifestado em Jesus.

A oferta de presentes pelos Magos – ouro, incenso e mirra – tem um significado simbólico profundo. O ouro representa a realeza de Cristo; o incenso, a sua divindade; e a mirra, a sua humanidade e o sofrimento que Ele suportaria por nós. Esses presentes nos convidam a refletir sobre como podemos oferecer a nossa própria vida como um presente a Deus. Mais do que riquezas materiais, o Senhor anseia por um coração contrito, uma vida de serviço e um amor sincero a Ele e ao nosso próximo.

A Epifania não é apenas uma celebração do passado, mas um evento que se renova em cada coração que se abre à graça de Deus. Como os Magos, somos chamados a seguir a luz da fé, a reconhecer a presença de Deus em nossas vidas e a nos prostarmos em adoração diante d'Ele. Que a Epifania seja um momento de renovação espiritual, no qual cada um de nós se deixe guiar pela luz de Cristo e se comprometa a ser um reflexo dessa luz para o mundo.

Em nossa jornada de fé, podemos nos deparar com Herodes, aquele que se sentiu ameaçado pela chegada do Menino Jesus. Assim como Herodes, às vezes permitimos que o medo e o egoísmo nos impeçam de reconhecer a presença de Deus em nossas vidas. É essencial que nos afastemos dessa escuridão e nos abramos à luz da verdade, do amor e da graça divina. Que a Epifania nos inspire a buscar uma fé autêntica, guiada pela luz de Cristo, e que nos leve a adorá-Lo e servi-Lo em todos os momentos de nossa existência.

Que a Solenidade da Epifania nos conduza a uma profunda experiência do amor de Deus, que se manifestou em Jesus Cristo. Assim como os Magos, sigamos a estrela que nos guia, oferecendo nossos corações e vidas ao Senhor, para que Sua luz brilhe em nós e através de nós, transformando o mundo ao nosso redor com o amor e a esperança do Evangelho. Que a luz da Epifania continue a iluminar nossos caminhos, nos conduzindo ao encontro do Rei dos reis e Salvador da humanidade.

Rio de Janeiro, 05 de Janeiro de 2024.


 
Jonathan B. Godoy
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

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