Catequese | Adventus Domini - Domini Gaudete

 





DOM WALLACE RONCALLI
POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
 BISPO TITULAR DE FIORENTINO E AUXILIAR DO RIO DE JANEIRO

A todos que lerem estas nossas letras, saúde e paz da parte de Deus e do Senhor Jesus Cristo


Caros irmãos e irmãs, estamos vivenciando um momento especial, o Advento, que nos chama a preparar o coração para a chegada do Senhor. Nesta terceira semana, celebramos o "Domingo da Alegria" (Gaudete), uma ocasião marcada pela expectativa jubilosa da vinda de Jesus Cristo, o Salvador.

O termo "Gaudete" vem do latim e significa "Regozijai-vos". Essa alegria, porém, não é uma simples emoção passageira ou superficial, mas um júbilo profundo, que nasce da presença de Deus em nossas vidas. O apóstolo Paulo, na carta aos Filipenses, nos exorta: "Alegrem-se sempre no Senhor; novamente digo, alegrem-se!" (Fl 4,4). Essa alegria nos impulsiona a esperar com confiança o cumprimento das promessas divinas.

A liturgia deste domingo está cheia de sinais que apontam para o regozijo. A cor litúrgica é o rosa, que simboliza o alívio e a proximidade da luz que desponta. A terceira vela da coroa do Advento é acesa, representando a claridade que cresce à medida que nos aproximamos do Natal. As leituras bíblicas também trazem o convite à alegria. Na primeira leitura (Is 61,1-2a.10-11), o profeta Isaías proclama que o Senhor o ungiu para levar boas notícias aos pobres, curar os corações feridos e anunciar o ano da graça. Essa mensagem nos recorda que a verdadeira alegria está em Deus, que cuida de nós e nos resgata.

No Evangelho (Jo 1,6-8.19-28), encontramos João Batista, o precursor de Jesus, que nos ensina a humildade e a esperança. Ele não se coloca no centro, mas aponta para Aquele que vem, dizendo: "Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor". João nos convida a preparar nossas almas para receber o Salvador, purificando nossas atitudes e reconhecendo em Cristo a fonte da verdadeira alegria.

Mas como praticar essa alegria no dia a dia? Em um mundo marcado por tantas dificuldades e desafios, podemos nos perguntar: é possível ser realmente alegre? Sim, porque a alegria cristã não depende das circunstâncias externas, mas da certeza de que Deus está conosco. Ela é fruto da fé e da confiança no amor incondicional de Deus. Por isso, somos chamados a cultivar essa alegria em pequenas ações, como a oração, a caridade e o serviço ao próximo.

O Papa Francisco, em sua Exortação Evangelii Gaudium, nos recorda que a alegria do Evangelho preenche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Esse encontro transforma, dá sentido à nossa existência e nos impele a sermos testemunhas da boa nova.

Nesta Semana da Alegria, somos convidados a refletir sobre nossas vidas e reconhecer os sinais de Deus presentes em nosso cotidiano. Percebamos a bondade de Deus em cada pequena bênção e aprendamos a compartilhar essa alegria com os outros, especialmente com os que mais necessitam. Como Maria, a Virgem de Nazaré, que exclamou no seu Magnificat: "Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador", sejamos também nós portadores dessa alegria ao mundo.

Encerramos, então, com um convite: deixemos nossa alma se encher da alegria de Deus. Vamos intensificar nossa preparação para o Natal, praticando a caridade, o perdão e o acolhimento. Que a luz da terceira vela do Advento nos lembre que a alegria cristã é um reflexo da presença de Cristo em nossas vidas e que, com Ele, podemos transformar o mundo!!!
                                                    

                                                            

                                                              
+ Wallace Roncalli
Auxiliar Do Rio de Janeiro



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